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SEGUNDA-FEIRA, 27 DE AGOSTO DE 2018

Segmento de fragrâncias encara desafios e cresce

Os consumidores do Brasil continuam a investir em fragrâncias mesmo com os efeitos persistentes da crise econômica vista no País nos anos recentes. Segundo a Euromonitor, o segmento de fragrâncias é o que apresentou o maior crescimento em valor no ano passado, faturando 12% mais do que em 2016 (valores correntes).

“Os brasileiros estão cautelosos na hora da compra e preferem produtos considerados essenciais. Embora inicialmente, perfumes possam parecer um produto supérfluo, há um fator cultural muito forte que influencia positivamente o consumo da categoria, explica um analista da empresa.

Esse comportamento está alinhado com uma ‘megatendência’ identificada pela Euromonitor International como Middle Class Retreat. Ela indica que os consumidores com o poder de compra comprometido irão realocar os recursos, abrindo mão de alguns produtos para priorizar outros que eles consideram mais importantes, impulsionado um movimento de trade up em determinadas categorias.

Inovação e tendência – Assim como em outros segmentos do setor de Higiene e Beleza, o segmento de fragrâncias se sustenta em inovação. Denise Coutinho, diretora da unidade global de perfumaria da Natura, diz que ainda é possível inovar e a inovação em perfumaria pode vir de inúmeras formas, desde um novo ingrediente até novos caminhos olfativos e fragrâncias que atendam a diferentes perfis de consumidores. A executiva cita alguns exemplos.

Em maio deste ano, a empresa lançou Essencial Oud, perfume que leva a madeira oriental Oud em sua composição. “Um dos ingredientes mais nobres e raros da perfumaria mundial e que ainda não havia recebido destaque em fragrâncias brasileiras”, diz. Em junho, a novidade foi Ekos Magia da Floresta, o primeiro perfume feminino amadeirado do portfólio da Natura. “Lançamento que atende a uma tendência nacional de mulheres usarem cada vez mais perfumes amadeirados”, explica Denise.

A diretora da Natura também destaca outra inovação da perfumaria Natura: o lançamento de Faces No Gender, fragrância voltada para todos, homens e mulheres, independentemente do gênero.

Meio ambiente – Inovar em embalagem também é um caminho promissor e atualmente bem avaliado pelo consumidor, já que a sustentabilidade ganha cada vez mais presença em todo o mercado. A perfumaria da Natura possui pelo menos 20% dos frascos feitos de vidro reciclado pós consumo. Com a ampliação do uso de vidro reciclado para todas as marcas da perfumaria, o potencial de reutilização de embalagens se aproxima de mil toneladas de vidro.

“Ao longo dos anos, a Natura construiu uma perfumaria autêntica, qualificada, de qualidade e alma brasileira. Uma perfumaria com expertise única, através de três grandes pilares, que chamamos de ‘gente, ingrediente e ambiente’”, diz Denise.

A diretora conta que, hoje, todos os perfumes da marca são totalmente formulados com álcool orgânico. “A tecnologia de produção de álcool orgânico aliada à inteligência da natureza elimina a necessidade do uso de agrotóxicos e adubos tradicionais e criam um ciclo positivo para o meio ambiente.”

Genderless – Para empresas que atuam no mercado brasileiro, uma das tendências que devem fazer parte da pauta dos novos desenvolvimentos em perfumes é genderless. Quem alerta quanto a essa oportunidade é Pablo Cioccari Lizárraga, perfumista da Sensient.

Segundo o especialista, há uma tendência enorme para esse conceito, mercado pouco explorado e que pode crescer em médio espaço de tempo.

“A geração Z é o maior público-alvo, por explorar liberdade e conexão com seus valores”, afirma. “Haja visto que a sociedade ainda está caminhando para compreensão deste novo movimento e identidade, principalmente no tocante sócio-político e religioso. Moda, novela e música já abordam esse tema, são exemplos de que tanto a educação como também a procura por esta tendência têm andado juntas, desmistificando e desconstruindo estereótipos e pré-conceitos”, complementa.

Para quem deseja trabalhar produtos para exportação, a regra sem dúvida é ficar de olho nos movimentos que ocorrem em outros mercados. Lizárraga diz que no mercado europeu é se vê a migração do ‘Nicho’ para ‘Indie’.

“Esse movimento é percebido pelos consumidores e marcas, mutuamente. Ter um perfume exclusivo com matérias-primas raras não basta. O novo consumidor quer conexão com sua história, alinhada à sua filosofia de vida”, afirma.

Portanto, de acordo com o perfumista, perfumes naturais, orgânicos, eco-friendly e veganos são a bola da vez. “Neutralidade, simplicidade e transparência retratam este consumidor (para esse tipo de produto).”

Dois caminhos para inovar – O perfumista da Sensient diz que atualmente há dois vieses para inovação na perfumaria. Primeiro, são as chamadas captivas’, matérias-primas desenvolvidas para compor a paleta do perfumista. “Podem ser aromas diferentes dos atuais e de acesso restrito, que trarão um acorde diferente e inovador”, explica.

Segundo, a tecnologia é uma grande aliada da perfumaria e cada vez mais será o diferencial. “Portanto, as inovações são as novas tecnologias de encapsulamento de fragrâncias para melhorar o long-lasting e cápsulas que se rompem com a fricção, liberando perfume e prolongando a sensação de bem-estar”, diz o perfumista.

Ele ressalta ainda que as inovações também são percebidas nas diferentes formas de aplicação, como relógios e joias perfumadas, tatuagens temporárias perfumadas e fragrâncias em pó.

Tradicional x novo – Em perfumaria, o mercado não se modifica com tanta frequência, visto o comportamento dos consumidores brasileiros que tem ‘seu’ gosto já bem definido dentro dos territórios florais para mulheres e amadeirados para os homens. Essa é a opinião de Cristiane Torina, gerente de projetos da Vollmens.

“Mas vimos o surgimento da tendência do chipre para os perfumes femininos, que foram bem aceitos e lideram as vendas de algumas marcas, bem como os orientais e gourmand, que cresceram em número de lançamentos”, diz.

No território masculino, a gerente afirma que se percebe um comportamento mais conservador. “A última tendência mais recente que observamos nos lançamentos foi a aposta em ingredientes como o OUD, para reforçar essa preferência pelo perfil olfativo amadeirado do brasileiro”, completa.

A gerente de marketing da empresa, Patrícia Shimojo, afirma que o mercado internacional tem se modificado, porém as mudanças para o mercado nacional chegam mais lentamente. A executiva destaca que muitas marcas de nicho foram adquiridas por grandes corporações, mostrando que os consumidores buscam histórias mais reais que o identifiquem com o produto, e que essas marcas trabalham com propostas olfativas bem diferenciadas e mais ousadas do que se vê nos mercados de ‘mass’ e ‘prestigie’, geralmente com caráter unissex.

“Quando analisamos mais profundamente o mercado de perfumaria, os lançamentos vêm sendo muito mais trabalhados nos story telling dos ingredientes, destinos, ou seja, muito além da composição olfativa, com todo o contexto e encantamento que é explorado”, acrescenta.

 

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Acesse aqui infográfico produzido pela Comunicação FCE Cosmetique, com principais tendências olfativas em 2018.

 

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Fonte: Redação Revista H&C

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