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Painel H&C
Revista H&C - Edição 103

Embalagem tem uma sintonia forte no setor

QUINTA-FEIRA, 3 DE AGOSTO DE 2017

O setor cosmético sabe muito bem e vale sempre reforçar: a embalagem é fundamen­tal para conquistar clientes. Afinal, quando usa um produto para cui­dar da beleza ou melhorá-la – e por que não a saúde –, o consumidor cria sintonias fortes que começam pela sua roupagem. Além do mais, ele sempre deseja praticidade, se­gurança e conforto. A indústria entende isso e se movimenta em busca de soluções inovadoras.

A Aptar dá o exemplo. Com a compra da Mega Airless no ano passado, deu um up no seu poder de entregar inovações. O recen­te foco da empresa no ramo dos dermocosméticos exige itens que entreguem eficiência e segurança. E isso a empresa oferece de sobra, com tecnologia, explica Maurício Carini, gerente de desenvolvimen­to de mercado.

Outra empresa que atua com uma pegada bem premium é a Dragon. Jorge Unterleider, dire­tor do negócio, deixa claro que o seu perfil é para quem busca diferenciação. A empresa é super parceira de fabricantes que que­rem apresentar projetos robustos, diferentes, ainda que de longo prazo. Traz soluções de fornece­dores internacionais e auxilia o desenvolvimento de inovações. Leia mais sobre essas duas empre­sas nesta edição, na matéria de cobertura da FCE Cosmetique.

Tendências – Para alcançar a ino­vação, um dos caminhos promis­sores é estar atento às tendências, olhar para o futuro e enxergar ne­cessidades de consumo e oportu­nidades de tecnologia e negócios, segundo especialistas. Um deles é Antonio Ponce, gerente de marke­ting da Bemis. O executivo destaca justamente a conexão como um dos principais pontos que influen­ciarão o mercado de higiene e bele­za de forma definitiva. “Existe uma grande tendência de lançamento de embalagens que se conectam ao consumidor através dos sentidos, visão, tato ou olfato”, diz.

Também aparecem no radar, com frequência, as palavras prati­cidade e sustentabilidade. Ponce destaca que, segundo o ponto de vista do consumidor moderno, as melhores embalagens são aquelas que melhoram a sua experiência no momento do uso do produto. Ou­tro fator que deve ganhar força, de acordo com o gerente, é a substi­tuição das embalagens tradicionais por flexíveis, “que frequentemente têm menor impacto ambiental por serem muito mais leves”.

Algumas das inovações Bemis disponíveis no mercado nacional que estão diretamente relaciona­das a essas tendências são Silver Glam e Efeito Táctil. A primeira é uma estrutura de alto brilho que tem efeito espelhado e é aplicada nas bisnagas de tubos laminados. Proporciona o destaque do produ­to na gôndola, chamando a aten­ção do consumidor, e oferece bar­reira à luz, oxigênio e vapor d’água. A segunda é um verniz aplicado ao filme flexível, que, quando tocado, dá a sensação ao consumidor de toque em couro, pétala de rosa, fruta ou papel, entre outros.

Refis e miniaturas – O discurso de praticidade e sustentabilidade é unânime. Ivonne Ascher, dire­tora de vendas da Faber Castell, afirma que as principais tendên­cias para cosméticos são “emba­lagens práticas e descomplicadas, como os minis e embalagens multifuncionais”. “Também há um grande movimento na inclu­são de soluções em embalagens sustentáveis, capazes de reduzir o impacto no meio ambiente ou permitir a reutilização quando o produto acaba, as chamadas re­fis”, acrescenta. O CEO da Jafra Cosméticos, Guto Pedreira, tam­bém fala disso nesta edição, leia mais no H&C Pergunta.

De fato, diversas palavras ou expressões ganham relevância no setor nos últimos anos, como sus­tentabilidade, praticidade, inova­ção e redução de custo. Para a diretora da Faber Castell, a pra­ticidade com preços atrativos tem maior peso entre elas. “Isso devi­do ao cenário econômico do País, aliado ao crescimento do merca­do mesmo em tempos de crise”, diz Ivonne.

“A praticidade, para nós, sig­nifica produtos fáceis de usar, em qualquer hora do dia, e que pos­sam ser levados na bolsa ou néces­saire em todo lugar”, completa. Ainda segundo a executiva, pro­dutos com esses atributos ganham mais espaço no mercado por conta da escassez de tempo no dia a dia da mulher e a sua inserção no mer­cado de trabalho.

A empresa lançou o Magic Metal na versão batom líquido ou lápis mini jumbo, que transforma qualquer batom em metalizado. “Esse produto tem tamanho práti­co, que cabe na nécessaire e tam­bém permite a mulher utilizar todas as cores de batom que ela já tem e transformá-los em novas cores, inéditas”, ressalta Ivonne. Além disso, o item oferece benefícios de alta hidratação e regeneração dos lábios ressecados, com vitamina E.

Sachês – Um dos principais desa­fios da Unilever para concretizar o compromisso de ter 100% de suas embalagens recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis até 2025 era en­contrar uma solução técnica para a reciclagem de sachês, que corres­pondem à maior proporção de em­balagens plásticas não recicláveis devido ao pouco valor do produto no mercado de reciclagem e às difi­culdades em reciclar o material.

Para solucionar a questão, a empresa apresenta o CreaSolv Process, tecnologia desenvolvida em parceria com o Fraunhofer Ins­titute for Process Engineering and Packaging IVV, da Alemanha, que possibilita a reciclagem de resíduos de sachês. A solução foi adaptada de um método usado para separar retardantes de chamas bromados dos polímeros em resíduos de equi­pamentos elétricos e eletrônicos. Durante o processo, o plástico é recuperado do sachê para, depois,

Antonio Ponce, da Bemis, fala de tendências para o setor ser usado na fabricação de novos sachês para produtos. A Unilever deve inaugurar uma planta piloto na Indonésia ainda esse ano para testar a viabilidade comercial de longo prazo dessa tecnologia.

Segundo a empresa, os sachês são embalagens extremamente eficientes, pois usam pouca maté­ria-prima, gerando menos resíduo, e ocupam menos espaço no trans­porte em relação às embalagens tradicionais. Também facilitam o acesso a produtos por consumido­res de baixa renda. Mas sem uma solução de reciclagem viável, os re­síduos de sachê acabam como lixo comum ou em aterros. Como par­te de seu plano de sustentabilida­de (leia mais no quadro), a Unilever tem o compromisso de encontrar uma alternativa ao simples descar­te desse tipo de embalagem.

“Pretendemos fazer com que essa tecnologia seja de fonte aber­ta e esperamos ganhar escala na tecnologia com parceiros na in­dústria, para que outras empresas possam usá-la, incluindo os nossos concorrentes”, afirma David Blan­chard, chefe de P&D da Unilever. “O argumento econômico a favor dessa tecnologia é muito claro. Sa­bemos que, globalmente, perdem­-se US$ 80 bilhões a US$ 120 bi­lhões por ano porque os plásticos não são reciclados adequadamen­te. Encontrar uma solução repre­senta uma oportunidade enorme. Acreditamos que o nosso compro­misso de tornar 100% de nossas embalagens recicláveis, reutilizá­veis ou compostáveis apoiará o crescimento do nosso negócio no longo prazo”, completa.

Nada novo sob o sol – Outro ponto de vista pode ser compre­endido a partir do fato que as em­presas do setor sabem o que preci­sam. Elas conhecem as demandas e projetam o que é necessário. Assunta Napolitano Camilo, dire­tora do Instituto de Embalagens, concorda. A especialista afirma que as tendências de consumo são as mesmas há algum tempo e se refletem nas tendências para embalagens de consumo – igual­mente para higiene pessoal e cos­méticos. “Conveniência, diferen­ciação, preocupação com saúde e sustentabilidade”, diz.

Assunta acrescenta que os consumidores estão em busca de embalagens convenientes que ofereçam fácil abertura e que pos­sam ser refechadas, quando é o caso. “É crescente o uso de pump para uma série de produtos para facilitar o uso e evitar a contami­nação, mas, além disso, esse siste­ma de dispensing é a chave para agregar valor e diferenciação aos produtos”, sugere.

Mais acesso – Porém, a varieda­de de oferta pode ajudar as em­presas a terem mais oportunida­des para saírem do lugar comum. Alexandre Miasnik, diretor da francesa Fiabila, empresa especia­lizada em esmaltes, reflete sobre o assunto. O executivo diz que o segmento de esmaltes é pautado historicamente por um frasco de vidro e uma escova para aplicar o produto. “Recentemente, assis­timos à chegada de um spry ao mercado, mas na verdade é uma embalagem ruim: grande, cara, confusa, de baixo brilho e curta duração entre outras característi­cas”, acrescenta.

Mas o que vale mesmo é a tentativa, a busca mais assídua por novidades. O mercado tem em mãos um momento também para ousar. Miasnik afirma que o desafio hoje é obviamente vircom alternativas econômicas e competitivas. “Também é impor­tante trazer alguma inovação, o Brasil agora está acessando novos fornecedores com gama maior de produtos que devem atualizar a oferta”, finaliza. Leia também nesta edição a seção Embalagem & Design e saiba mais.

 

 

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