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Painel H&C
Revista H&C - Edição 106

Hidratantes seguem tendência de consumo

SEGUNDA-FEIRA, 29 DE JANEIRO DE 2018

Desenvolver hidratantes com base nas caracte­rísticas regionais pode ser um caminho promissor para entregar produtos cada vez mais personalizados, uma tendência de consumo identificada em pesqui­sas da Mintel. Amanda Omodei, gerente de marketing técnico da Focus Química também acredita nessa possibilidade e explica que, devido às grandes diferenças cli­máticas presentes no Brasil, os produtos cosméticos precisam ser pensados para atender às necessi­dades de cada região.

Uma das decisões mais impor­tantes, segundo a especialista, é a escolha do emulsionante. “É o ponto mais crítico, pois represen­ta a característica de textura que o produto terá, a concentração de óleos que suporta, a compatibili­dade com outros ingredientes da fórmula e a estabilidade que terá, sendo esse fator essencial para ga­rantir que o item final terá as ca­racterísticas físico-químicas preser­vadas até sua validade”, diz.

Outra necessidade, de acordo com Amanda, é pensar nos compo­nentes da fase oleosa, já que isso define a percepção de hidratação que o consumidor terá ao usar o produto. Amanda ressalta que no Brasil é comum optar por óleos ve­getais diferenciados, por sua natu­reza, origem e características quími­cas, mas que é necessário observar a demanda de cada região, devido à condição climática, para que a adesão ao produto seja maior.

 

Na Região Norte, onde o cli­ma é quente, o hidratante corpo­ral deve ser mais leve em textura e não gorduroso, pois há tendência maior de a pele ser mais oleosa. Já no sul do País, Amanda explica, no geral a população possui pele mais seca, e o clima é, na maior parte do tempo, frio e seco, sen­do possível pensar em hidratantes corporais mais densos, com mais hidratação para retenção da água da pele e componentes calmantes.

Sensorial é tudo – Muito se fala no sensorial no ramo cosmético, mas nessa questão do hidratan­te regional esse aspecto pode ser ainda mais relevante. Amanda ex­plica que é possível diferenciar um hidratante corporal, usando molé­culas especiais para proporcionar texturas mais finas, secagem mais rápida e toque personalizado.

“É possível usufruir desses be­nefícios utilizando diferentes tipos de ésteres na formulação, pois de­pendendo de sua cadeia carbônica ele modificará o sensorial final, po­dendo ter mais ou menos espalha­bilidade, secagem mais acelerada, toque aveludado, sedoso, mais ou menos brilho, e ainda são excelen­tes emolientes sobreengorduran­tes e solubilizantes”, diz.

Amanda reforça que o mer­cado cosmético, no último ano, mostrou-se ávido por diferencia­ção através de produtos customi­zados. “Compreendo que existe grande oportunidade para o setor inovar suas fórmulas atendendo à demanda de algumas regiões com climas bastante distintos no Brasil”, diz.

A especialista sugere que as pessoas que moram em regiões mais quentes e áridas, geralmente necessitam de produtos mais leves, menos gordurosos e com secagem rápida, sendo que hidratantes mais suaves são ideais. “E até mes­mo em apresentações diferentes, como um mousse hidratante efer­vescente, por exemplo, dando um efeito refrescante durante a aplica­ção”, completa.

Já para o público que reside em regiões mais frias, como no sul do país, o hidratante corporal pre­cisa ser mais elaborado, de acordo com Amanda, pois a perda de umi­dade é maior e a pele tende a ser mais seca. “Imagino esse tipo de produto no formato de manteigas hidratantes corporais, enriqueci­das com óleos vegetais, manteigas e emolientes sensoriais, como os ésteres e silicones”, diz.

O formato também pode ser diferenciado, na opinião da geren­te, uma emulsão que traga uma experiência ao consumidor, “como o formato de emulsão água/silico­ne/óleo, onde o efeito quick-break (quando o produto é aplicado so­bre a pele, libera imediatamente seu percentual de água) propor­ciona uma sensação imediata de hidratação na pele”.

Possibilidades – A Focus Química possui opções que podem agregar diferentes fórmulas de hidratantes corporais. O destaque, segundo Amanda, é o esqualano vegetal, um ingrediente de sua representa­da Sophim, da França. Essa maté­ria-prima é mundialmente conhe­cida e consagrada como o melhor hidratante do mundo, de acordo com Amanda, e pode ser usada em todo tipo de cosmético.

“Derivado da fração insaponi­ficável do óleo de oliva e com qua­lidades multifuncionais, esse ingre­diente previne a perda de umidade e restaura a elasticidade e flexibili­dade da pele”, afirma a executiva. “Do ponto de vista dermatológico, a maior característica do esqua­lano é a sua excelente qualidade como emoliente. Com base na sua afinidade natural com a pele, pe­netra facilmente sem deixar uma sensação gordurosa e, ao mesmo tempo, dá à pele uma sensação suave e sedosa. Essa afinidade vem do fato de que o esqualeno é o principal hidrocarboneto da superfície lipídica humana, que re­presenta até 15% da gordura su­perficial total”, acrescenta.

O ingrediente ainda traz ou­tros benefícios. Por conta de seu baixo ponto de congelamento (-38°C), é de interesse para formu­lações em que é essencial o produ­to reter sua qualidade e aparência em baixas temperaturas. “Ideal para estados onde o inverno é ri­goroso”, sugere Amanda.

Como opções de texturas, a Focus Química destaca dois és­teres da representada Stearinerie Dubois, também da França, que modificam o sensorial do produ­to final, promovendo maior espa­lhabilidade e toque diferenciado. Um deles – Isodecyl neopentano­ate – é um éster de cadeia curta, que beneficia a espalhabilidade final quando comparada com a performance de outros ésteres. Seu baixo ponto de inflamação, segundo a Focus, o torna muito volátil. É conhecido por promover o sensorial mais sofisticado já visto em categoria de ésteres. Elegância e bem-estar podem definir o seu toque final. Com ação rápida de hidratação, seu efeito aveludado resulta em formulações que po­dem ser diferenciadas.

O outro – Isononyl isononanoa­te – funciona “maravilhosamente bem” em produtos de skincare, bodycare, make-up e fórmulas de proteção solar, melhorando sua espalhabilidade e entregando uma distinta sensação sedosa. Esse in­grediente também é capaz de doar boa hidratação e cria um resulta­do de melhor conforto cutâneo da aplicação, segundo a empresa. Esse éster é compatível com óleos e silicones e ideal para produtos que precisam espalhar rapidamente e uniformemente. É um ingrediente não gorduroso e não pegajoso.

A Cosmotec também possui soluções que podem enriquecer os produtos hidratantes e diferenciá­-los. “Temos ingredientes para desenvolvimento de formulações que atendem às necessidades de hidratação cutânea para todas as regiões brasileiras, de acordo com os principais benefícios buscados pelos consumidores”, diz Mariana Olivato, gerente de tecnologia e inovação da empresa.

Para o desenvolvimento de formulações de hidratantes corpo­rais com booster de hidratação, a profissional destaca um produto da Floratech, do Arizona, nos Estados Unidos. Trata-se de um éster hidro­lisado de jojoba que confere efeito de resistência à água, aumento da hidratação da pele, recuperação de barreira cutânea e redução do eritema. “O seu diferencial encon­tra-se na combinação com a glice­rina presente na formulação, que aumenta a disponibilidade hídrica sobre a pele após a formação de filme substantivo”, explica a exe­cutiva da Cosmotec.

Aos fabricantes que desejam atender a consumidores que bus­cam hidratação cutânea nutritiva, a empresa trabalha um óleo vegetal extraído da planta Crambe abys­sinica. Também conhecido como óleo de crambe, é constituído por ácidos graxos insaturados, entre eles ômega 3, 6 e 9, que apre­sentam alta afinidade cutânea. O ingrediente da Elementis, de New Jersey, nos Estados Unidos, segun­do Mariana, promove deposição de filme substantivo, melhorando a textura e a aparência da pele.

Já para as indústrias que pre­tendem atender aos consumidores que possuem a pele ressecada, com necessidade de hidratação profun­da, a Cosmotec apresenta um ativo da companhia suíça Rahn, derivado natural da aveia negra e soja, que confere hidratação em todas as ca­madas da epiderme.

Segundo Mariana, o extra­to de aveia negra contém alta quantidade de polissacarídeos, que formam um filme hidratante sobre a pele. “As substâncias hi­groscópicas presentes nesse ex­trato estimulam os componentes do fator de hidratação natural da pele (NMF) e o estoque de água na epiderme”, explica a especia­lista. “A lecitina, derivada da soja, estabiliza a matriz lamelar lipídica da epiderme, reduzindo a evapo­ração e perda de água transepi­dermal na pele”, completa.

Perspectiva abstrata – No âm­bito do fabricante, a opção de desenvolver determinado tipo de produto de acordo com as carac­terísticas do território onde o item será comercializado e das pessoas que nele vivem fica menos eviden­te. Ou seja, é mais raro a empresa usar esse apelo de forma clara e objetiva. O conceito fica no campo mais abstrato da percepção.

Em matéria da Folha de S. Paulo, publicada há sete anos, a repórter ressaltou que a Natura era uma empresa que se adaptava a diferenças regionais. O destaque era o lançamento de produtos es­pecíficos para cada região do País, considerando diversidade cultural e de clima. A reportagem citava a nova linha de hidratantes Todo Dia Inverno, que estaria disponível apenas em São Paulo.

Para o Nordeste, segundo o jornal, estava sendo lançado um novo hidratante, mais leve, à base de graviola. Esses produtos teriam sido concebidos localmente, por unidades da empresa. As informa­ções também constavam no blog da marca, em seu site. Procurada pela Revista H&C, a Natura não quis participar dessa vez e afirmou, por meio de sua assessoria de im­prensa, que não tem hidratantes regionalizados. Outras marcas também não responderam.

 

 

 

 

 

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