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Painel H&C
Revista H&C - Edição 108

Limpadores de superfícies

SEGUNDA-FEIRA, 11 DE JUNHO DE 2018

Uma das principais catego­rias de produtos de limpeza, os limpadores de superfícies são muito populares por sua plurali­dade de funções, formatos, espe­cificidades e preferências dos usu­ários. Eles limpam, desinfetam, dão brilho e proteção às superfí­cies e conferem o “cheirinho de limpeza” aos lares dos consumi­dores. Estes produtos têm experi­mentado crescimento significativo de vendas, principalmente os que além de eliminarem odores inde­sejáveis dos lares, deixam um per­fume agradável no ambiente.

Os limpadores de superfícies con­sistem de agentes que combinam as funções de limpeza e a manu­tenção da superfície em que são aplicados. Atualmente, devido ao aumento de demanda, diversas pesquisas vêm sendo desenvolvi­das, visando uma maior segmen­tação de produtos que possam ser utilizados em superfícies variadas. Há desde produtos específicos (limpadores para telas de TV, por exemplo) até os chamados limpa­dores multiusos, usados em todos os tipos de superfícies.

Um limpador de boa qualidade deve ser composto de substâncias que permitam sua penetração na sujeira, ainda que esta seja insolúvel em água, e a retire por completo da superfície, podendo ser utilizados alcoóis, como etanol e isopropanol e éteres glicólicos, como o éter bu­tílico de etilenoglicol.

Os limpadores comumente trazem em suas composições tensoativos, substâncias ácidas ou alcalinas (utilizadas no ajuste de pH), aditi­vos (que agem como inibidores de corrosão e auxiliam na proteção de superfícies metálicas) e solventes (solubilizam substâncias gorduro­sas e ajudam na homogeneidade do produto final), preservantes e agentes bactericidas.

Na classe de aditivos dos limpa­dores multiusos, entram também as fragrâncias, que são utilizadas tanto para dar odor agradável, como mascarar odores desagra­dáveis que venham a ser exalados por determinadas matérias primas. O “cheiro” tem grande importân­cia no produto, sendo o primeiro contato que o consumidor tem e, portanto, é o que dita se será comprado ou não. Muitas vezes somos “enganados pelo cheiro”. É comum acharmos que teremos uma boa limpeza pelo fato de o perfume ser agradável no frasco, mas ao utilizarmos, notamos que o produto em si não confere a lim­peza total da superfície, e pela alta volatilidade de seus componentes, a fragrância também não se man­tém no ambiente. Sobre isso, Lauro Barata, afirma e questiona:

“[...] gastamos com isso 14% da nossa cesta de consumo. Tudo por um cheirinho de limpeza e com clientes rompendo os pacotes e frascos no supermercado para sen­tir de perto a fragrância perfuma­da que “viu” pela TV. O cheirinho lima-limão, sempre associado à limpeza, é que é importante, não a composição química, afinal, fór­mula de produto de limpeza quem conhece?”. (BARATA, 2007)

Na verdade, foi a relevância da fragrância que impulsionou o mer­cado de produtos de limpeza na última década. Falando principal­mente em gênero feminino, a mu­lher dos dias atuais trabalha fora de casa e precisa conciliar a tarefa diária à vida profissional; ela tem marido e filhos, precisa ter tempo para dar atenção à família, quer se lançar a novos projetos e ter novas oportunidades. Com a vida tão cheia de atividades, surge uma conveniência: um produto prático, que agiliza as tarefas do dia a dia e traz prazer emocional. Surgiu en­tão, uma classe de consumidores que prioriza o bem-estar. O merca­do entende que é hora de passar da simples limpeza da casa, para um ritual prazeroso.

Uma pequena pesquisa realizada pela Sinergia Química com um grupo de 124 consumidoras reve­lou que aproximadamente 40% destas escolhem os produtos con­forme a aceitação de seu odor. Cheiro forte já não sinaliza casa limpa; a procura é por tecnologia e perfumação.

Com relação à tecnologia, o con­sumidor espera produtos mais efi­cientes que não demandem muito tempo, esforço e desgaste físico, produtos multifuncionais, ingre­diente ativo X benefício emocional e boa performance.

Já em se tratando de perfumação, o “cheirinho” de casa limpa ganha novas dimensões com fragrâncias tradicionais como pinho, eucalip­to, lavanda e “cloro” dando espa­ço para uma nova interpretação de cheiro de limpeza. Da perfumacao o consumidor espera sinalização de casa limpa, perfumação pro­longada, evidência de tarefa re­alizada, fragrâncias sofisticadas que combinem com o ambiente, elemento chave que atrai cada vez mais consumidores e os mantêm fiéis à marca.

A pesquisa também revelou que a maioria (>75%) dos consumido­res entrevistados decidem com­prar determinados produtos ao abrir o frasco e sentirem o cheiro no supermercado.

As direções olfativas de produtos de limpeza se alteraram com o passar dos anos e principalmente na última década, mas algumas como as cítricas, florais e fougeres aromáticas prevalecem.

As superfícies mais comuns em ambiente doméstico incluem vidro, cerâmica, inox, plásticos, metal pin­tado e madeira. Com relação aos tipos de superfícies, naturalmente já surgem segmentações de produ­tos que além de limpar, não deixem resíduos em vidros, protejam ma­deira, confiram filmes protetores e abrilhantadores aos pisos, não ataquem acrílico e outros plásticos, não desbotem pinturas, não man­chem inox, entre outros fatores.

O limpador multiuso é o produto mais comum na área da cozinha, principalmente em armários, fo­gões, geladeiras, pisos e eletro­domésticos, o que se deve ao seu poder desengordurante e a sua praticidade de uso. Outra seg­mentação nesta categoria é, por­tanto quanto à área de aplicação; se usado em cozinha, banheiro, piso, eletrodomésticos. Isso por­que cada área tem um (i) conjunto típico de sujidades com suas ca­racterísticas específicas quanto à facilidade de remoção e (ii) uma variedade de superfícies com suas características de resistência ao ataque químico ou físico (abra­são). Em artigo futuro, falaremos sobre os diferentes tipos de limpa­dores com maior detalhamento.

Componentes de formulações de limpadores de superfície incluem como detergentes os tensoativos aniônicos como dodecilbenzeno sulfonato de sódio, lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de só­dio na faixa de 0 a 2%, os tenso­ativos não iônicos como nonilfenol etoxilado com 9,5 e 10 moles de óxido de eteno (EO), álcool láurico com etoxilado com 7 EO, álcool sintético C9-11 com 6 EO, alquil­poliglicosídeos e os óxidos de alquil dimetil amina de 0 a 2%. Como bactericidas são usados sais de amônio quaternário como cloretos de alquilbenzil amônio. Builders são usados para complexar, preci­pitar íons de dureza de água (cálcio e magnésio), conferir alcalinidade e potencializar detergência, deses­truturando a sujeira, sendo comum usar fosfato trisódico, tripolifosfato de sódio, carbonato de sódio de 0 a 2%. Os alcalinizantes conferem alcalinidade, potencializam a deter­gência, protegem superfícies me­tálicas da corrosão, sendo usados metassilicato de sódio, monoeta­nolamina, hipoclorito de sódio de 0 a 1,5%. Os solventes solubilizam a sujeira, potencializam a detergên­cia, adequam a taxa de evaporação da solução da superfície, melhoram a aparência da formulação, redu­zindo seu ponto de turvação, sen­do comuns butilglicol, butildiglicol, éter butílico do dipropilenoglicol e etanol de 0 a 4%. São ainda usa­dos agentes estabilizantes e esté­ticos para a formulação. Os prin­cipais agentes estabilizantes são os preservantes, que protegem as formulações do ataque de micró­bios. Como em geral os limpadores são alcalinos, é preciso muito cui­dado na escolha destes ingredien­tes, sendo esta orientada por sua resistência às reações de hidrólise, condensação aldólica e de Schiff, sua ampla solubilidade em água e sua não substantividade a políme­ros, entre outros fatores.

 

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