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Revista H&C - Edição 111

Microbioma da pele humana - Parte 2

SEXTA-FEIRA, 14 DE DEZEMBRO DE 2018

A flora da pele saudável é o pon­to de partida para o estudo das doenças microbianas da pele.

O interesse em estudar a micro­flora da pele encontra fundamen­to no fato de que ela é como um ecossistema que pode ser mani­pulado como qualquer macro­-habitat e que, portanto, pode-se alterá-la para manter ou melhorar sua saúde, por exemplo pelo uso de cosméticos.

Os elementos do ecossistema da pele podem ser descritos sob a perspectiva dos microrganismos. Os microrganismos são trazidos à pele pelo ar, atingindo, primeira­mente, uma zona protegida por pelos (ou cabelos). Um “envelope” de ar em movimento é sabido cir­cular o corpo humano em toda sua extensão, contendo pelos ou não. As áreas com menor movimento de ar são mais densamente colo­nizadas por micróbios, como por exemplo axilas e queixo.

A temperatura da superfície da pele flutua em função de altera­ções fisiológicas e do meio am­biente. Em geral, a temperatura da pele está na faixa de 30° a 40°C à medida que a temperatura do ar varia de 15° a 40°C. Temperatura e exposição à luz solar impactam em regiões de diferentes pigmen­tações cutâneas, fatores que em conjunto influenciam na tempera­tura da superfície da pele. As res­postas fisiológicas podem impactar em um aumento do fluxo sanguí­neo e, portanto, na temperatura da superfície da pele.

As escamas da pele são higroscó­picas e capazes de absorver de 3 a 4 vezes seu peso em água da atmosfera. Assim, a umidade da pele, bem como sua temperatura, é dependente das condições am­bientais. A umidade da pele é tam­bém dependente do movimento da água transepidermal do sangue até a superfície da pele, pelo suor e pela temperatura.

Embora a composição gasosa do meio ambiente que envolve a pele em suas diferentes camadas não seja totalmente definida, sabe-se que ao menos há um equilíbrio dinâmico. Gases, com exceção ao monóxido de carbono, podem facilmente penetrar a pele por di­fusão dependendo da pressão de vapor dentro e fora da pele, da temperatura, da umidade e do sebo cutâneo. A epiderme exerce um papel de barreira relevante na difusão dos gases. Alguns fatos como músculos liberarem mais gás carbônico que a pele, servem de evidências de que diferentes regiões da pele possam conter diferentes composições gasosas (oxigênio e gás carbônico) o que pode favorecer o crescimento de determinados microrganismos.

Sabe-se que os cabelos e as escamas do estrato córneo são principalmente compostos de queratina, uma substância desfavorável ao crescimento microbiano. O cimento intercelular, aparentemente duro, também parece ser uma fonte improvável de nutrientes para o crescimento microbiano. Entretanto, a localização dos microrganismos na pele e na zona mais superficial dela, indica a presença de outras substâncias potencialmente nutritivas, tais como lipídeos, proteínas, minerais, vitaminas e hormônios, algumas com atividades antimicrobianas.

Tais substâncias são oriundas do sebo e do suor, respectivamente produzidos nas glândulas sebáceas e sudoríparas e, também, em menor extensão na epiderme. Estas substâncias parecem estar localizadas entre as escamas do estrato córneo. Análises microscópicas de sessões histológicas de tecidos congelados e corados para lipídeos com Sudan revelam uma coluna contínua de mancha a partir e entre as glândulas sebáceas. Uma parte dos lipídeos sebáceos parecem percolar até o estrato córneo mais externo. Assim, o sebo e o suor aparentemente não fluem através da pele mas entre o estrato córneo, provavelmente como uma emulsão. Esta emulsão, a qual parece permear através de todo estrato córneo, é a provável fonte do cimento intercelular. À medida que a epiderme cresce para fora é razoável supor que a emulsão intercelular desidrate e endureça para produzir um selo lipídico entre as escamas mais externas. Assim, embora a emulsão modificada aparentemente forneça na superfície, uma barreira para a entrada no estrato córneo, em sua forma recém secretada, é um meio potencialmente apropriado para o crescimento microbiano. A composição química desta mistura é altamente variável em função de mudanças de dietas e alterações no meio ambiente. Em climas quentes, a composição do suor se altera consideravelmente durante a atividade glandular profusa. No homem o pH da superfície da pele varia consideravelmente, mas, de forma geral, a pele tende a ser ácida. Entretanto, o pH da pele pode exibir diferentes padrões e se alterar em resposta a fatores como estação climática, hipóxia isquêmica e estados de doenças. É provável que em indivíduos saudáveis a superfície da pele se apresente como um meio para o crescimento microbiano com um pH que pode variar entre as regiões do corpo, mas que, devido a sistemas tampões localizados, é provavelmente constante em tais regiões. Alguns microrganismos completam seu ciclo de vida na superfície da pele sendo considerados residentes, enquanto outros passam por um curto período de tempo na mesma, os transientes.

 

 

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