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Revista H&C - Edição 112

Microbioma da pele humana - Parte 3

QUINTA-FEIRA, 7 DE MARÇO DE 2019

A pele produz uma mistura com­plexa de lipídios polares e não­-polares que podem ser encontra­dos dentro dela e em sua superfície.

Os lípidos são o produto das glân­dulas sebáceas da pele, mas a epi­derme também contribui (de for­ma reduzida) para o filme lipídico superficial. Além disso, a camada córnea da epiderme contém uma mistura complexa de lipídios pola­res e não polares em seus espaços intercelulares. O sebo contém áci­dos graxos livres, triglicérides, co­lesterol livre, colesterol e ésteres de cera, parafinas e esqualeno.

Historicamente, os lipídios da su­perfície da pele têm sido estuda­dos por razões práticas, como a suspeita do papel dos lípidos sebá­ceos na acne. Lípidos epidérmicos são investigados por seu papel no fornecimento de barreira epidér­mica à perda de água.

A superfície da pele é em geral hi­drofóbica. Como tal, uma gota de água colocada no antebraço volar (molhabilidade do teste cutâneo persiste por 15 min). Esta proprie­dade, há muito conhecida, é carac­terizada por uma tensão superficial crítica baixa (isto é, a tensão super­ficial máxima de um líquido capaz de se espalhar completamente so­bre essa superfície).

Nas áreas seborreicas, a superfície da pele é menos hidrofóbica e a tensão superficial é maior devido à alta quantidade de sebo; uma lim­peza da testa com éter reduz dras­ticamente a tensão superficial. Da mesma forma, na testa a tensão superficial é maior do que no ante­braço por causa da alta quantida­de de ácidos graxos livres no sebo.

A hidrofobia da pele contribui para a sua baixa permeabilidade. Assim, o suor tem tempo suficiente para evaporar e desempenhar o seu pa­pel na termorregulação. Em suor profuso, o suor em excesso escorre para baixo, mas não forma uma emulsão com o sebo.

A formação de biofilmes é possí­vel devido à baixa tensão super­ficial, à hidroboficidade, à carga iônica superficial variável e à pre­sença de água na pele.

A colonização da pele é depen­dente de uma série de fatores fisiológicos, como pH, O2 e a disponibilidade de substratos de crescimento. Condições “desérti­cas” na pele limitam o número de gêneros que pode efetivamente colonizar a pele. Pressão osmótica, concentrações de eletrólitos, ra­diação UV, temperatura e estresse mecânico limitam a sobrevivência de espécies colonizadoras.

A microflora produz substâncias inibitórias, incluindo bacteriocinas, enzimas e inibidores de baixo peso molecular que ajudam a manter o equilíbrio das populações micro­bianas residentes e prevenir a co­lonização por patógenos.

A estreita associação entre a micro­flora da pele e o ambiente da pele é demonstrada pela surpreendente estabilidade das populações mi­crobianas residentes em resposta a perturbações no ambiente da pele.

No próximo artigo, comentaremos sobre como os cosméticos podem interferir no microbioma da pele.

 

Referências

Allyson L. Byrd, Yasmine Belkaid and Julia A. Segre, The human skin microbiome, Nature Reviews Microbiology, 2018, v. 16, n. 3, p. 143

K. Szabó, L. Erdei, B. Sz. Bolla, G. Tax, T. Bíró and L. Kemény, Factors shaping the composition of the cutaneous microbiota, British Journal of Dermatology, 2017, v. 176, n. 2, p. 344

 

 

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