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Painel H&C
Revista H&C - Edição 114

Fornecedores e distribuidores traz otimismo

SEXTA-FEIRA, 23 DE AGOSTO DE 2019

O principal desafio (de 2018) foi manter no mercado uma empresa de especialidades em um cenário desaquecido, onde há busca por produtos mais “commoditiza­dos”. Esse é o retorno de Alexan­dre Kaplan, presidente da Dinaco. O executivo explica que como a economia estava desaquecida, inclusive no setor de cuidados pessoais, muitas empresas apro­veitaram para focar em pesquisa e desenvolvimento. “Foi nesse ponto que trabalhamos mais for­temente com nossos clientes”, afirma Kaplan. “Essa proximidade e aprofundamento se traduziram em novas propostas, buscando formulações minimalistas e pro­cessos otimizados”, acrescenta.

O executivo destaca que com o mercado desaquecido, “muitos buscaram alternativas mais baratas e não demoraram a surgir soluções que, apesar de não primarem pela mesma qualidade dos produtos conceituados do mercado, ‘fun­cionavam’ num primeiro momen­to”. Foi a busca pelo mais barato e não pelo de maior qualidade. Por isso a empresa se movimentou. “Trabalhamos fortemente para apresentar nosso portfólio como fonte de soluções que pudessem compensar as consequências dessa busca”, conta Kaplan.

O líder da Dinaco explica ainda que seus clientes procuraram a empresa buscando ingredientes mais baratos, mas quando conhe­ceram a relação custo/benefício dos itens apresentados se deram conta de que o que buscavam era uma especialidade química de qualidade que ajudasse a reduzir os seus custos.

Chamou atenção – O mais surpre­endente nesse período, na opinião de Alexandre Kaplan, foi a resiliên­cia das médias e grandes empresas em se reinventar com lançamentos para atender no cenário desfavo­rável desses setores. Para a Dina­co, com a abertura dos P&Ds em busca de mais tecnologia e pro­dutos mais inovadores, inclusive na relação custo/benefício, houve oportunidades de grandes aprova­ções em 2018, apesar do mercado desaquecido.

O presidente da distribuidora conta que produtos de cuidados diários com alternativas verdes, veganas e sustentáveis foram as principais buscas em 2018, pois os consumidores estão mais cons­cientes da necessidade da conser­vação do planeta e as indústrias enxergaram nisso uma oportuni­dade para inovar e se destacar em um cenário de crise.

Kaplan afirma que com um mer­cado recessivo, e consequente quedas nas vendas, a indústria tem ainda diversas opções de es­tratégia. “Algumas buscam um ‘oceano azul’ como nicho e para isso nos procuram para inovar com novos ingredientes ou novas aplicações; outras buscam baixar os seus custos para equilibrar as contas”, diz.

Desafio e oportunidade – Ape­sar dos grandes desafios, o ano de 2018 trouxe diversas oportuni­dades para os segmentos de cui­dados pessoais e cuidados com a casa, na visão de Tatiana Kalman, vice-presidente de Care Chemicals da Basf para a América do Sul. “Viver a transformação digital e os modelos de desenvolvimento cola­borativo de forma mais intensa é fundamental para que tenhamos os desejos dos consumidores como ponto de partida para as inova­ções”, afirma.

Essa premissa, de começar pela ne­cessidade e desejo do consumidor, é algo que, segundo a executiva, tem mudado bastante e deve se intensificar ainda mais, principal­mente para indústria. “Poder de­senvolver novas soluções junto a parceiros, clientes e consumidores permite reduzir o tempo de lança­mento de um produto e ser ainda mais eficaz. Somado a isso, o fácil acesso à informação faz com que os consumidores estejam mais atentos e exigentes, buscando por produtos de maior qualidade e mais susten­táveis, naturais ou veganos, o que também traz novas oportunidades de mercado”, afirma.

Futuro positivo – Para Tatia­na, pensando em avanço para 2019/2020, ainda que o cenário atual não reflita a expectativa de crescimento, as oportunidades continuam surgindo. “Produtos que entreguem maior eficiência para o consumidor elevam o pa­drão de mercado e exigem da in­dústria um processo de inovação mais ágil e assertivo, além de fazer com que as marcas tenham que ser cada vez mais transparentes e consistentes em suas ações”, diz.

Nesse contexto, a executiva ex­plica, a fornecedora Basf busca por novos modelos de negócio que vão além do desenvolvimen­to de produtos e que ajudem os seus clientes a oferecer produtos de alta performance e acessíveis ao consumidor final, trazendo novidades recentes nesse perí­odo, como: 1) inauguração do Centro de Experiências Científi­cas e Digitais, o onono, o novo ecossistema está integrado aos laboratórios de aplicação e sen­sorial de personal e home care, trazendo a experimentação para mais próximo do consumidor fi­nal e reforçando ainda mais o processo co-criação com clientes; 2) Soluprat para home care, que entrega aos clientes um produto concentrado, precisando apenas ser diluído e customizado com cor e fragrância, antes de chegar ao mercado, reduzindo a comple­xidade e as etapas de desenvolvi­mento; 3) B-Active, campanha de personal care que apresenta bio­ativos selecionados com base nas necessidades do consumidor bra­sileiro, além de formulações para inspirar e otimizar o processo de desenvolvimento de novos pro­dutos cosméticos; 4) atuação em um novo canal de vendas online, para segmentos específicos, que também dá acesso a informações técnicas e conteúdo sobre ten­dências de mercado.

“Apesar do cenário em 2019 não ser muito positivo, ainda é bas­tante propício para inovação e para os novos modelos de negó­cio, e a Basf continuará investin­do e pensando em soluções que atendam aos desejos dos consu­midores e simplifiquem o proces­so de desenvolvimento dos clien­tes”, conclui Tatiana.

Fora da curva – Algumas empre­sas registram resultados bastan­te positivos, mesmo em tempos mais desafiadores. É o caso da Biozenthi Laboratórios Dermo­cosméticos. “Estamos num cres­cimento atípico nos últimos três anos, e em 2018 tivemos um crescimento de 63% em relação ao ano de 2017”, revela Márcio Accordi, fundador e diretor do negócio. “Um crescimento mui­to maior que muitas indústrias do setor e até mesmo de outros setores, mesmo numa época de crise”, ressalta.

Para driblar estes momentos di­fíceis, o executivo diz que a em­presa investiu em inovações, co­locando produtos diferenciados no mercado e novidades ao setor. “Também investimos em marke­ting para aumentar o conheci­mento da população quanto a nossos produtos”, conta.

Carga tributária alta – De nega­tivo, o empresário Márcio Accordi reclama mesmo é da carga tributá­ria no setor. “É alta, principalmen­te para produtos básicos de higie­ne pessoal, como creme dental, desodorantes, sabonetes e prote­tores solares, algo tão importan­te no dia a dia”, diz. Outro fator negativo para a indústria do setor de higiene pessoal e cosméticos, o executivo ressalta, é a burocracia na tributação.

“O que mais complica é a subs­tituição tributária que dificulta muito, uma vez que é tributada por estado. O custo final fica dife­rente por estado, causando atra­sos na entrega, pois em alguns deles é preciso pagar a anteci­pação do ICMS antes mesmo de vender para o consumidor final. Não dá para entender como foi possível alguém criar algo tão bu­rocrático, dificultoso e que onera muito o custo final do produto que chega no consumidor”, diz.

Novas portas – Berenice Freire, diretora da Garden Química, con­ta que as indústrias passaram a comprar menos. Investir menos em estoque e produzir exatamente o que a demanda de venda pede. “Isso acabou comprometendo um pouco faturamento”, diz. Por ou­tro lado, outros fatores, segundo ela, trouxeram novas oportunida­des. De acordo com a executiva, a busca pela inovação associada à redução de custo e ao menor impacto ambiental exemplificam bem isso. “As empresas procura­ram como um todo alternativas mais sustentáveis, novas e de bai­xo custo, isso acabou que abrindo novas portas”, afirma.

Outro ponto importante, na opi­nião de Berenice, foi o crescimento em produtos naturais e/ou orgâni­cos. “Esse interesse tem ‘forçado’ o mercado a acompanhar essas mudanças, tanto no quesito legis­lação quanto em investimentos em pesquisas e importações”, diz. A executiva diz que as commodities em geral sofreram mais com a cri­se econômica, quedas em torno de 20%, enquanto as especialidades tiveram um papel positivo, com aumento de 15%. Para Berenice, a fórmula para o sucesso no setor é inovar, trazer novidade para o mer­cado com preço baixo e visão de menor impacto ambiental.

Mais premium – Os produtos pre­mium podem ser um ponto de im­pulsionamento daqui para frente. Pelo menos na visão de Mônica Ba­tistela, coordenadora de marketing da quantiQ, empresa do Grupo GTM. “Produtos premium, tanto no setor de beleza como autocare e household”, sugere. A executiva conta que 2018 foi bastante desa­fiador para todos os mercados e o segmento de limpeza doméstica não poderia ser diferente.

“A migração por marcas mais ba­ratas foi evidente. Entretanto, no segundo semestre fechamos o contrato de distribuição dos pro­dutos da Oxiteno, que adicionou soluções tensoativas e especiali­dades químicas no nosso portfólio de household. Uma das linhas que passamos a distribuir foi a Alkonat (álcoois graxos de origem vegetal e de fonte renovável). Pouco tempo depois do início da parceria já con­seguimos perceber um crescimen­to exponencial de nossas vendas para este mercado”, afirma.

O novo em evidência – Algumas empresas aproveitam os tempos mais desafiadores para destacar suas marcas. Paula Rodrigues, do marketing da Casa KM, explica que o cenário fez com que os con­sumidores fiquem mais abertos a experimentar novas marcas e pro­dutos. “Para nós, é uma grande vantagem, principalmente em ca­tegorias que não temos tanta ex­pressão de mercado”, diz.

O crescimento no número de players é um sinal amarelo, a executiva alerta, mas, segundo ela, a empresa mantém o seu foco em seu planejamento estra­tégico e trabalha para buscar os melhores resultados.

Paula destaca que produtos de lim­peza são itens básicos da cesta do brasileiro, que reduz a quantidade na compra, mas, ainda assim, tem em mente que é algo essencial, que ele precisa. “Itens como lava­-roupas, limpadores e amaciantes não são excluídos da lista, mas repensados”, diz. O consumidor, Paula afirma, está disposto a ex­perimentar os mais baratos, mas dificilmente vai deixar de comprar estes itens. “Neste caso, vemos a crise como uma oportunidade para que nossos produtos se des­taquem”, finaliza.

 

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